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A viagem

Ao longo da vida fazemos Viagens, no entanto só contabilizamos as viagens que fazemos fisicamente. A verdadeira viagem, por tudo o que tenho lido, é ao nosso "interior" mas, para isso por vezes teremos de percorrer muitos kms.

A viagem

Ao longo da vida fazemos Viagens, no entanto só contabilizamos as viagens que fazemos fisicamente. A verdadeira viagem, por tudo o que tenho lido, é ao nosso "interior" mas, para isso por vezes teremos de percorrer muitos kms.

1 Dia "Perdi"

cibera, 03.07.23

É verdade, neste primeiro dia perdi os óculos, o caminho (trilho) e o parceiro de viagem.

Vamos por partes!

Depois de um bom pequeno almoço na Albergaria de peregrinos do Porto, agradecendo a hospitalidade que foi dada, para iniciar a caminhada foi importante ter este tipo de acolhimento, para fazer-me á estrada.

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A primeira parte dentro do Porto, bem sinalizada e em ruas típicas e cheias de monumentos que permitem ver a beleza desta cidade.

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Quando chegamos á Maia, nesta altura ainda tinha parceiro de viagem, fui atrás de uma sinalização em inglês que dizia o local para carimbar o passaporte e também dizia "to back", voltar! Mas, nem sequer questionámos e foi só mais á frente, uma boa meia hora que decidimos olhar o mapa e verificamos que não estávamos a seguir o trilho. Como em tudo na vida, em vez de regressar a um ponto seguro de retorno fizemos o mais fácil, alternativa e assim foram mais 6 kms para o percurso, nada de especial!

Agora, perdi os óculos, por causa do telemóvel tive de tirar os óculos e nalgum sítio ficaram, mas será que afinal eram importantes? É que fiz o resto da viagem sem eles e sem poder esconder o olhar, é verdade, os óculos que podem ser uma boa ferramenta por causa do sol é essencialmente uma forma de esconder o nosso olhar. Aquilo que mais me custa, é que eram de marca, uns óculos especiais, paguei 3,50€ por eles!

Perdi-me no percurso, será que me perdi mesmo? Porque, ao perder-me no caminho fui passar junto á estação de Metro da Maia, que permitiu que o parceiro de viagem, ao desistir, pudesse apanhar este meio de transporte directo para a estação de Porto Campanhã. Se tivéssemos ido pelo caminho certo teria de ter apanhado diversos autocarros para chegar ao mesmo destino. Assim fica a grande pergunta: perdi-me ou foi o destino?

Perdi o colega de viagem! Será que perdi? A grande questão é essa mesmo, será que este caminho não era para fazer sozinho? É que, com alguém a acompanhar de alguma forma limita-nos a partilha, os contactos e acabamos por ficar na nossa zona de conforto. Pelos testemunhos que li, o "Caminho" é diferente de pessoa para pessoa, assim não o iria percorrer da mesma forma como irei fazer. Mas só consigo saber quando chegar a Santiago de Compostela, porque vou chegar!

Concluindo, será que perdi alguma coisa? Na minha vida tenho a velha máxima, "nada é por acaso". Mesmo esta viagem nesta altura da vida não é por acaso, nem sempre entendemos o porquê de acontecer, e a maioria das vezes viramos as costas aos acontecimentos, garantindo que somos donos e senhores do planeamento da nossa vida, será?

Depois dos primeiros 15 kms, acompanhado e dentro do meio urbano de tráfego intenso, para quem vive no Baixo Alentejo em que um engarrafamento de carros é feito com 3 a 5 carros, imaginem esta região com um trânsito contínuo. Claro a N14 não é fácil, mas depois de sair da Maia foi mais pacífico.

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O norte de Portugal está cheio de casas típicas, algumas com séculos e um dos símbolos da importância que as terras tinham no passado é olhar para os cemitérios e os mausoléus existentes.

Apesar do pequeno contratempo, o mais importante é sempre chegar e foi isso que aconteceu. Mosteiro do Vairão, situado numa pequena aldeia, é gratificante ver a placa e melhor quando tomamos um duche e mudamos de calçado, mas esqueçam, não pensem que agora descanso, depois disto volto a sair e conhecer a aldeia e beber um café, só depois é que parei um pó até á hora do churrasco.

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E, porque nada é por acaso, o único restaurante da terra á segunda feira está fechado e assim o Albergue faz um churrasco para os peregrinos que assim o pretendam. Ou seja, permite uma maior ligação com outros peregrinos e com o pessoal do albergue.

É nestas alturas que sinto falta de falar a língua inglesa, já no albergue do Porto tentei manter conversa com outros peregrinos mas é complicado e aqui sou o único peregrino português, além de mim está um italiano e um alemão, nas mulheres só no churrasco saberei.

Mas, mesmo não sabendo falar só existe uma solução, praticar e esforçar, derrotas, só no fim do jogo.

Até já!