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A viagem

Ao longo da vida fazemos Viagens, no entanto só contabilizamos as viagens que fazemos fisicamente. A verdadeira viagem, por tudo o que tenho lido, é ao nosso "interior" mas, para isso por vezes teremos de percorrer muitos kms.

A viagem

Ao longo da vida fazemos Viagens, no entanto só contabilizamos as viagens que fazemos fisicamente. A verdadeira viagem, por tudo o que tenho lido, é ao nosso "interior" mas, para isso por vezes teremos de percorrer muitos kms.

2 Dia

cibera, 04.07.23

Na minha juventude era normal as anedotas começarem por "um português, um italiano, um francês,..." sempre para promover a esperteza do Portuga.

Esta história começa da mesma forma só que é real e aconteceu nos jardins do Mosteiro de Vairão.

No tal jantar/churrasco promovido pelo Albergue e porque o único restaurante da aldeia estava fechado, sentaram-se 7 personagens na mesma mesa, " um Búlgaro, um Jugoslávio, um Alemão, um Francês, um Italiano, um Belga e claro o mais importante o Português" que mal falava inglês.

Deste grupo 3 eram conhecidos, os outros desconhecidos entre eles. Será que se tivesse ido jantar ao restaurante teria está sorte?

A conversa variou, regada inicialmente com vinho alentejano e depois com jarro de tinto da região, apenas diziam que era mesmo bons. A comida, variada desde saladas verdes, salada russa, camarão com maionese, enchidos grelhados e depois carne grelhada, só elogiavam, deliraram com a refeição e para terminar salada de fruta e ameixas.

Os 3 conhecidos eram ligados á proteção das aves e por isso a conversa girou em torno deste tema, mas também de características de cada país e até de ursos se falou.

Foram 2h passadas em boa companhia e mesmo com as minhas limitações de linguagem não deixei de participar e ser questionado sobre alguns temas.

A grande questão é, onde é que na nossa vida deixamos entrar algo parecido com esta situação? Sentarmos numa mesa com estranhos, mesmo que todos falem a mesma língua. Preferimos o que é garantido, as mesmas pessoas, os mesmos temas e as mesmas situações, ou seja, seremos sempre o que já éramos e vamos continuar a ser o que somos!

E assim terminou a noite, 22h já que às 6h o dia começa. Com os preparativos da viagem só era preciso reabastecer o organismo e surpresa, excelente pequeno almoço.

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Este é digno de hotéis, só faltou os docinhos.

Depois, está na hora, o italiano saiu logo a seguir às 5h30, não queria apanhar calor, o alemão e o francês estavam a levantar-se, não tinham pressa e os outros 3 ainda iam fazer uma conferência via zoom. Quando estava já na rua o relógio da torre bateu as 7h, excelente para iniciar o dia.

No primeiro dia, posso dizer que fui como os jovens quando iniciam a vida, não querem aprender com os mais velhos nem seguirem as regras básicas e por isso muitas das vezes fazem um maior esforço para atingirem os objetivos, mas quem dá ouvidos aos outros? É normal sermos rebeldes e queremos experimentar, nós podemos fazer melhor e de forma mais fácil, basta fazer á nossa maneira.

Assim foi o que fiz, não segui as regras e caminhei mais do que devia e por isso hoje decidi cumprir as regras, fazer rigorosamente o que propunham.

Para começar, o caminho foi muito mais agradável.

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Muito pouca estrada principal, mas a que foi preciso foi complicado, preocupam-se com a sinalização, que é muito bom, mas esquecem-se de cortar as ervas nas bermas colocando em perigo os peões.

Neste caminho passei a primeira vez por uma igreja aberta, em S.Pedro de Rates.

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Uma pequena terra cheia de igrejas e outros monumentos, tal era a importância no passado, para não falar das casas.

Depois voltei ao percurso por estradas de terra batida e, quando começava a ficar preocupado se estava no percurso certo lá aparecia uma seta, parece que o universo gerava resposta aos meus pensamentos.

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E quando não era a seta era uma "X" amarelo que simboliza por aqui não. Mas também encontrei o que não devia ter encontrado, uma meia abandonada na rua, acredito para não julgar que alguém a perdeu.

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Mas as paisagens são maravilhosas, permitem que apreciemos o que temos de belo em Portugal.

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Assim o dia foi muito mais simples, cruzei-me com um casal estrangeiro que iam a um passo mais calmo, depois duas jovens que estavam paradas num café, de seguida um grupo espanhol que pela velocidade iriam percorrer no máximo 15 kms e não tinham mochilas.

Ao entrar em Barcelos fui recebido pela música dos sinos, eram 14h, 7h de viagem para 29 kms. O rio, também praia fluvial, estava convidativo para um banho mas preferi seguir e procurar o albergue.

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O albergue bem no centro da cidade, apesar dos muitos que encontrei no caminho e até na entrada da cidade, promovendo desde quartos individuais e outras ofertas de conforto. Como tinha decidido optar de preferência por albergues ditos oficiais, já tinha feito reserva no albergue da cidade, o valor era conforme a nossa vontade e deixado numa caixa na entrada. Cada um dá o que acha bem. É um albergue pequeno, com umas 20 camas em beliches, misto. A entrada no exterior simples mas na recepção bastante decorada, com partes comuns excelentes e as camas no primeiro andar. Já se encontrava uma peregrina a descansar. Depois de um duche, tratar dos pés, eles são uma parte fundamental do sucesso da viagem, mudei de roupa e fui para a rua. Mesmo conhecendo bem Barcelos, sabe bem andar um pouco sem o peso da mochila.

A seguir vou então relaxar umas 2h antes de ir jantar, o albergue tem um café/ restaurante com menu especial peregrino, aproveitar e comer onde outros peregrinos vão jantar.

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Agora sabia bem uma massagem aos ombros, será que o universo vai realizar esse meu desejo?

Até já!