3 Dia
Para ser diferente hoje foram 35 KMS. De forma a chegar antes das 15h, saí às 6h da manhã.
O dia estava melhor que o anterior, não existia nevoeiro ou seja, menos humidade. Por ser mais cedo todos dormiam quando saí, os estrangeiros gostam de apreciar e ver a nossa cultura e por isso fazem etapas mais pequenas. Durante o caminho encontrei muitos AL com indicação referente aos peregrinos.
Alguns, com ofertas excelentes de como passar um dia com piscinas entre outras.
A viagem foi solitária, tal como é normalmente a nossa vida, temos emprego, família e por vezes hobbies mas, tal como os aviões, ligamos o piloto automático e deixamos ir, permite-nos viver ou antes sobreviver. Deixamos de sonhar, os empréstimos, os filhos limitam a nossa capacidade de acreditar que podemos ter sonhos para viver.
Assim, por ser mais solidária permitiu pensar um pouco no que já fiz na vida, decisões menos acertadas, nunca chamo erro, porque para isso era preciso ser algo completamente crítico, por exemplo em matemática todos consideram errado quando dizemos 1 + 1 = 3, mas será mesmo errado?
É preciso ter cuidado quando respondemos sem fundamentar ou conhecer todas as possibilidades, mas claro que é o que mais fazemos, julgamos tudo e todos porque achamos que sabemos tudo.
Voltamos ao problema matemático, quando somamos um Homem mais uma Mulher claro que pode ser o resultado 3, quando nasce um filho.
Este foi apenas um exemplo, existem muitos outros que colocam em causa a ideia de ERRO. A verdade é que todas as decisões tomadas, na vida e na viagem foram elas que permitiram chegar aqui onde estou.
Mas voltando á minha viagem, claro que não ia sozinho, tive sempre a companhia da minha sombra, principalmente quando fazia sol. Nas primeiras 3 horas apenas cruzei-me com pessoas que estavam a fazer as suas caminhadas ou que estavam á espera da boleia para o trabalho. Em Barcelos ainda bem que encontrei um casal a fazer a sua caminhada, já estava a cometer o erro de ir por uma estrada errada, mas o universo enviou este casal que fazia a caminhada na direção que tive de tomar e com essa ajuda saí facilmente de Barcelos sem enganar.


Estamos no norte, em cada esquina encontramos uma igreja ou uma capela, não chega às que existem em cada terra que existem outras para homenagem de alguma situação.

Também encontramos quase em cada esquina, fontes de água, evitamos comprar e esta está sempre fresca. Ao fim de três horas avisei os dois primeiros peregrinos, eram portugueses mas quando os alcancei foi junto a um café e já estavam a sentar-se, por isso nem falei com eles. Mais á frente um casal passou por mim de bicicleta, eram espanhóis. Meia hora depois fui eu que passei por eles, as estradas são excelentes porque são de terra batida, mas para as bicicletas e por terem pedras, não é ideal, estavam a remendar o pneu. Não voltaram a passar por mim, ou tiveram problemas mais graves ou ficaram num dos albergues/ AL existentes.

Noutro ponto da viagem encontrei uma Tailandesa, percorria o caminho em sentido contrário, vinha de Ponta de Lima a 11 kms e ia para uma terra a 3,5 kms e questionou-me se era longe, ou seja, o mapa no telemóvel dela dizia que era 3,5 o que esperava de resposta? Quando soube que vinha de Barcelos e ia para Ponte de Lima exclamou, 35 kms, eu não fazia.
Também existiam caminhos que valiam a pena percorrer, sombra e natureza.

E quando precisamos de lavar a cara, para beber nem todas são aconselhadas, temos a frescura da natureza.

E noutros casos admiramos o que já foi novo e garantidamente majestoso.

Durante a viagem encontrei muitas árvores de fruto, e como desejei poder comer umas ameixas fresquinhas, tal foi o meu desejo que o universo satisfez a minha vontade.

Não é fácil encontrar tanta generosidade, deixar fruta, neste caso ameixas, para os peregrinos poderem comer sem terem necessidade de tirar das árvores, ou seja, roubar.
A partir de Barcelos também encontramos muito mais informações, além das distâncias, as ofertas no percurso.


Para que a viagem fosse completa, mesmo a chegar ao albergue uma outra igreja aberta, sinal para entrarmos.

Consegui chegar antes da hora prevista, sentei-me na sombra e verifiquei que já existiam outros peregrinos, um deles um jovem português que vinha de Braga e é médico. Restantes eram alemães e de outras nacionalidades, a maioria jovens. A atribuição das camas é sequêncial, ou seja mistos.

Enquanto esperava existia no espaço junto ao rio a Festa do Cavalo, com provas a nível internacional.

Agora, apenas saborear a cidade Ponte de Lima, cidade que visitei recentemente mas que é sempre bom ver e apreciar o rio que banha a cidade.
Até já!