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A viagem

Ao longo da vida fazemos Viagens, no entanto só contabilizamos as viagens que fazemos fisicamente. A verdadeira viagem, por tudo o que tenho lido, é ao nosso "interior" mas, para isso por vezes teremos de percorrer muitos kms.

A viagem

Ao longo da vida fazemos Viagens, no entanto só contabilizamos as viagens que fazemos fisicamente. A verdadeira viagem, por tudo o que tenho lido, é ao nosso "interior" mas, para isso por vezes teremos de percorrer muitos kms.

4 etapa

cibera, 06.07.23

Depois do dia de ontem, 35 kms hoje vai ser um passeio, apesar das referências a algumas subidas previstas são só 18 kms.

Como nestes albergues dormir não é o mais importante, voltei a levantar antes das 6h e às 6h30 já estava a pisar o alcatrão.

Muitos peregrinos já estavam a levantar-se, por isso hoje seria mais animado. A primeira hora foi pacífica, fácil de encontrar a sinalização e praticamente plana.

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O sol nascia mas, o arvoredo do rio mantinha um lugar fresco e a água transmitia uma paz, era um passeio relaxante.

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Ao longo do passeio começou a música, eram 7h, o relógio da torre batia as horas.

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O percurso estava bem cuidado, afinal os peregrinos são o "comércio" para a região, nota-se pelo número de casas/albergues com a informação de Peregrinos.

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Os placares de informação não faltam e  repletos de informação sobre o caminho, onde comer e dormir mas também sobre os monumentos da região.

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Estava a ser um passeio demasiado fácil, ao fim de uma hora tudo mudou. Passou por mim o médico e mais á frente num cruzamento com outra estrada, deviam vir de um dos albergues da região, encontrei dois alemães com uma pedalada.

Logo a seguir começou o que previa, subidas com grande declive e de pedras soltas. Estou a imaginar alguns peregrinos com quem cruzei no dia anterior e que tinham alguma dificuldade em andar. Agora entendo a publicidade com o número do táxi.

Voltei a cruzar-me com outros peregrinos em sentido contrário e depois é que percebi, o trajecto em sentido contrário é para Fátima.

Quando existiam dúvidas sobre o caminho encontrava-se este tipo de amontoados de pedras, testemunhos de quem aqui passou.

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Nalguns pontos o rio e quedas de água e algumas casas escondidas. É como se fosse um tesouro bem escondido.

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Início da subida mais complicada, as anteriores apesar do declive era alcatrão, esta não só o declive mas o piso.

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Imaginem subir as escadas de um prédio de 8 andares numa encosta de pequena distância.

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No cimo dessa famosa subida existe a Cruz dos Mortos, imagino o porquê, mas a história não é essa mas sim porque segundo dizem, neste local foi onde Portugal conseguiu bloquear o exército de Napoleão e morreram muitos soldados franceses.

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Quando atingi o ponto mais alto cruzei-me com o médico, os dois alemães e uma jovem estrangeira. O resto do Caminho, 2h, foi em conjunto e aí já senti o verdadeiro sentido do caminho, diversos peregrinos de várias nações. Como foi a descer e ou plano, foi calmo.

E finalmente chegamos! Uma pequena terra com meia dúzia de casas e apenas um café. Aproveitei, como eram 11h comer alguma coisa.

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Depois de comer comecei a pensar, 18h neste local sem nada para fazer?

Desejei boa estadia ao médico e ao restante grupo e fiz-me á estrada. O médico ainda perguntou até onde ia mas apenas respondi, não faço a menor ideia.

A partir daqui seria mais fácil, em comparação com o trajecto anterior, embora existam subidas são na maioria em alcatrão ou então em terra batida mas com bom piso, parecia uma autoestrada.

Noutro ponto encontrei o que dizem ser a primeira seta em território português.

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Mais água, é o que não falta no norte, e muitas fontes, permitem andar menos carregados, já que podemos encher as garrafas.

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Capelas e igrejas, também é o que não falta, algumas mais simples e outras mais trabalhadas.

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Algumas peparadas para a festa, estamos em julho e as festas no norte são continuadas, quando não é numa terra é noutra muito próxima.

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As freguesias ou talvez o município, empenham-se na promoção da região guiando o peregrino.

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E, finalmente Valença á vista, só faltam 11 kms, estou na dúvida entre ficar na próxima terra a 2 kms ou fazer o restante, mas ainda não é uma hora, a andar bem estou antes das 16h na albergaria e, não tenho problemas físicos nem cansado, por isso está decidido, afinal são só mais 11 kms ao todo 35, se ontem os fiz porque não os faço hoje.

A ideia inicial que seria uma etapa mais simples, já se foi!

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Na recta de acesso a Valença, mais uma capela a dar as boas vindas e ainda faltam 15 minutos para as 15h, excelente.

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E finalmente, depois de meia hora a andar dentro de Valença, chego ao destino. Bem localizado, excelente edifício, boas instalações e só estrangeiros. Ao lado ouço alemão, ucraniano e inglês, maravilha. Mas, todos com um belo sorriso e cortesia, apesar de tal como eu estarem exaustos.

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Amanhã, será o momento de passar a fronteira. Incrível, Porto - Valença já está feito!

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Até já!