5 Dia
Albergue de Valença é completamente diferente de tudo, até as casas de banho são mistas.
Saí do Porto com peregrinos estrangeiros de várias idades, até Ponte de Lima foi assim, mas esse albergue marcou a diferença, um português e quase todos jovens. Em Valença, mais mulheres que homens e um grupo de 6 jovens alemãs na casa dos 20 anos. Não encontrei portugueses neste albergue.
Fui jantar num restaurante ao lado com a indicação de menu peregrino, pelo menos servem muito bem já que o preço está mais virado para o turista estrangeiro, o peregrino na sua maioria come qualquer coisa que faz na cozinha do albergue.
Como este pessoal tem frio, fecharam as janelas, que sofrimento para mim, em Ponte de Lima as janelas ficaram todas abertas.
Mais uma vez antes das 6h já estava de pé e às 6h30 caminhava na rua. Quem traçou a rota é inteligente, podia ter descido a avenida nova e cortado á esquerda e estava na ponte, mas não, obrigaram-me a dar a volta á cidade velha dentro das muralhas, desta forma o peregrino é obrigado a conhecer o nosso património.
Quando atravessava a ponte fui recebido com a música dos sinos, 7h ou antes, 8h em Espanha.
Em Tui comecei a encontrar mais peregrinos, este local é onde começam a maioria, basta fazer este percurso para ter direito á "medalha" e claro, dois carimbos todos os dias no passaporte de peregrino.
A partir de Tui, ou era alcatrão ou terra batida mas um excelente percurso. Nas estradas principais de alcatrão tinha uma pequena faixa com indicação de peregrino e avisos para os autonomistas.
Em Portugal existem muitas fontes de água naturais, ou pelo menos existentes nas aldeias e não por serem de apoio ao peregrino. Em Espanha, existem fontes/torneiras especialmente com essa finalidade e a informação de água potável. Normalmente na maioria dos casos tem bancos de apoio.

As igrejas deles são mais raras e menos opulentas, a maioria abertas. Em Tui vi uma que devíamos adoptar em Portugal, colocação de uma porta de vidro assim dá para abrir as igrejas com estas portas interiores fechadas.

Hoje seriam só 22 kms até Porriño, mas cheguei á zona industrial às 11h (espanhola), é verdade que demorei quase 2h a atravessar até sair. No percurso até aqui cruzei-me com vários peregrinos de várias nacionalidades e entre eles o Diogo de Aveiro estudante de software. Também saiu do Porto mas pelo caminho da Costa, no primeiro dia fez 40 kms e depois reduziu um pouco mas não invalidou ter uma ruptura no pé, estava já com meia elástica e notava-se inchado. Como tinha o passo maior depois de uma pequena conversa na entrada da cidade só o voltei a encontrar meia hora depois sentado. Falei mais com ele, até para o animar, deixei-o a descansar e continuei. Parei num café e conheci o Cristóvão de Guimarães, já ia na quarta caminhada, mas não podia esforçar porque teve recentemente uma tendinite na perna e por isso ia ficar por aqui. Recomendou-me Mós, um bom local.

Em Mós também não senti que seria o local, meia dúzia de casas e comércio com vista ao peregrino. Continuei e nessa altura o Diogo passou por mim com outro jovem e nem sequer mostrou qualquer sinal de já ter falado comigo. Os estrangeiros mostram um sorriso, nesta caminhada por vezes paramos seja para comer o nosso lanche ou beber um café, e em Mós pode ser Delta, até fiquei espantado, nem parecia que estava em Espanha. Mas quando reencontramos os estrangeiros esboçam sempre um sorriso, e as palavras mágicas " boa caminhada", é bom sentir isso.
Além das indicações existentes, existem também os símbolos de passagem, este é um de entre muitos.

Os marcos espanhóis até têm a distância até ao metro e em todos eles, nalguns casos estão de 100 em 100 metros.

Voltei a passar pelo grupo do Diogo e disse-lhes "bom lanche, o colega ainda respondeu ele nada. Passado uns minutos voltaram a passar e a mesma situação. Mais á frente estavam parados num café, e alguns minutos mais tarde fui alcançado pelo colega sozinho, brasileiro de férias em Portugal aproveitou para fazer um estágio de medicina em Braga e decidiu fazer o caminho. Muito mais simpático acabamos por fazer os últimos 6 kms juntos. São estas as mentalidades das pessoas, o Diogo queria"pena" e porque estava sozinho tentou agarrar-me mas assim que teve companhia mostrou arrogância e desprezo, porque será que faz o caminho de peregrino?
Já a entrar em Redondela, é verdade, se fiz 35 kms entre Barcelos e Ponte de Lima e 35 entre Ponte de Lima e Valença, porque não os faço até Redondela? 37 KMS, estão feitos e depois de um duche mais um passeio pela vila.

O albergue recomendado, o mais barato estava repleto, fiquei num de 15€, mas de facto as condições são totalmente diferentes.


Hoje sim, já vou falando com mais pessoas, o meu fraco inglês não é essencial.

Até já!