Regresso (3- dia)
Cedo levantar e um bom pequeno almoço tomar, para a estrada caminhar e a meta encontrar.

Cuba, poderá enganar por pensar América do sul ficar, mas no Alentejo estar e os touros vem a acompanhar.

Se na rotunda os podemos ver no campo é melhor correr.

Herdades vamos encontrar, como paraísos imaginários, alguns são Oásis outros de assombrar.

Pequenas são as herdades que horas levam a passar, banhadas com a cor de ouro que tende a acabar.

Pontos verdes mancham o dourado, são azinheiras e sobreiros para a sombra dar e o bom alentejano descansar.

Mas o verde intenso veio para ficar, são oliveiras, amendoeiras e outras eiras, para a carteira rechear.

Perde-se de vista o que podemos alcançar e o caminhar, horas de palmilhar que a chuva veio amançar.

Mais um cruzamento que veio dificultar, em frente é uma possibilidade mas, á esquerda vamos virar.

E para o verde vigorar, Alqueva tem de dar, água para a rega em canais de transportar e para finalizar em albufeiras vão dar.

Com essa água o milho vai vigorar, são hectares de rega que o fazem brotar e nas pipocas acabar.

Mas o Alentejo também é outra arte, exploração de pedra para as casas realizar, agora ao abandono vamos encontrar e a natureza o fará acabar.

Pequenas pedras de toneladas, que ninguém quer agarrar, mas ficam de pé para não tombarem.

São Brissos alcançamos, 11 KMS depois de caminhar, aqui podemos sacear a sede e na sombra descansar.

As ruas típicas com as casas caiadas, uma barra para as distinguir e poucas janelas para o calor não entrar.

Poucas casas e menos gente mas, uma Taberna para abençoar a sede, um café para matar o desejo e um restaurante para a fome não passarmos.

Da janela de São Brissos podemos ver, a BA11 para animar, quando andam no ar é só barulho que nos faz tombar.

E ao lado para não ser diferente, as oficinas que tanto se fala, manutenção dos aviões e outros segredos muito bem guardados.

É o aeroporto que tanto se fala, a maior pista do país para os aviões aterrarem, mas no Alentejo fica e ninguém quer pensar.

Melhor é caminhar e mais á frente parar, nesta herdade podemos beber o melhor que o Alentejo tem para dar, bom vinho e azeite para sonhar.

Na cruz elevada aos céus vamos ter de virar, percorrer mais uns palmos de terra para o pó saborear mas, que as gotas da chuva vão refrescar.

Dourado pernanece teimoso, lutando contra a invasão do verde Regadio, uma batalha á partida perdida porque as forças estão a terminar.

Mas enquanto isso, e depois de uma viagem fresquinha, as nuvens começam a afastar e os raios de sol a brilhar.

Para chegarmos á praia dos 5 Reis, um seria pouco, e podermos descansar.

No areal a toalha estendemos, enquanto fomos banhar, deixamos depois o ossos repousarem.
Mas o tempo não é para descansar, e logo nos pusemos a andar, olhando para trás ficamos a querer voltar.

Vira os olhos e a pensar, se não podemos deitar, aproveitar o sol para embalar.

Mas o caminho nos faz despertar e querer andar, vamos continuar para logo terminar.

Coisas da evolução, casas ficam abandonadas, servem para tudo o que podemos imaginar.

O tempo muda, o fresco regressa e o contraste aparece, cheiro da terra lavrada que logo será transformada.

Mais uns passos e a ciclovia tão afamada, agora estamos seguros e podemos caminhar.

E se a vontade tivermos, no parque podemos descansar, sombras para um dia de calor mas hoje não será de convidar.

E a placa tanto esperada chega para nos alegrar, terminamos a caminhada sempre a cantar.

Foram 32 kms de palmilhar estradas sem parar, agora sim estou preparado para os próximos kms avançar.
